“Adam’s Apples” ou “É Verdade, pt.1″

12 12 UTC outubro 12 UTC 2009 - 9 Respostas

Adams ApplesExistem filmes lindos sobre a figura de Peter Pan. Finding Neverland – embora seja mais sobre o homem que criou Peter Pan do que o pubescente de minissaia – tem sido o mais proeminente nas minhas rodas de conversa. Meu favorito, entretanto, é Hook. Com Dustin Hoffman e Robin Williams, Hook mostra um Peter Pan que virou adulto e esqueceu quem ele era. O gatilho da trama ocorre quando seu arqui-inimigo, o Capitão Gancho, reaparece exigindo uma revanche. Vendo as pessoas que ele ama sendo ameaçadas pelo Capitão, Peter Pan decide reaprender seus truques de ‘menino perdido’ e retornar à Terra do Nunca para um último combate.

Dono de uma mente dramática e afoita por olhares inéditos, eu fui correndo tirar uma lição desse blockbuster infantil – “na maioria das vezes”, recitei durante os créditos finais, “são nossos inimigos que nos lembram de quem realmente somos”. Guardei Hook na gaveta com a segurança de ter encontrado mais uma frase para meu epitáfio, mas uma pérola dinamarquesa lançada anos depois abalaria meu sistema de provérbios cinematográficos.

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“Um Dia na Rua”

28 28 UTC setembro 28 UTC 2009 - Uma resposta

Wired

por Beth Cordeiro

Certo dia eu estava andando pelas ruas de Ipanema quando vi um homem que parecia ser louco. Ele usava um terno já todo puído e rasgado com uma blusa cheia de buracos perto do peitoral e toda manchada. Usava também uma calça pescando ”siri” e o outro lado dobrado deixando aparecer as meias torneando a canela fina dentro dos sapatos desamarrados. E ao olhar a cena dava para ver que o homem em meio ao seu black power, dividido pelo aro dos fones de ouvido do walkman que escutava, estava extremamente feliz e divertido, pois ele dançava ao longo de seus passos com os olhos fechados. Mas o que mais me intrigou nesta cena, foi que não pude parar de pensar… o cara está usando um walkman!

E me toquei que em um mundo de ipods, blackberrys e celulares multifuncionais supra modernos, a loucura me foi menos impactante que a visão de um walkman.

“Sono”

16 16 UTC setembro 16 UTC 2009 - 2 Respostas

Sleep

por Fernanda Ervolino

Sono, que vem como refúgio
quando não quero minha presença
em mim

Sono, que abriga minhas frustrações
pras quais não vejo soluções
em mim

Sono, a liberdade de fugir
a prisão de não viver
em mim

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“Fixing My Gaze” ou “Pró-Agnóstico”

28 28 UTC agosto 28 UTC 2009 - 2 Respostas

FixingMyGazeSusan Barry via o mundo em 2D. Ela sabia que um objeto estava mais próximo quando este tapava um outro, ou quando simplesmente parecia ser maior – fora isso, Susan vivia de frente para um imenso cartaz. Segundo os médicos, um estrabismo que ela sofrera aos 3 anos havia mexido com seu senso de profundidade. Susan deduziu que todas as pessoas enxergavam assim, e só foi descobrir sua condição numa aula de neurologia durante a faculdade.

O prognóstico de Susan era ver em 2D para sempre.

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“Saudações Saudosas”

9 09 UTC agosto 09 UTC 2009 - 3 Respostas

Saudade

por Juliana de Saint Brisson

Dizem que a saudade é traiçoeira,
Engana a gente.

Ela faz com que tudo tenha sido lindo.

O choro não foi tão triste assim, as palavras mal-ditas parecem tropeços da nossa fala, que estavam ali e ali se fincaram quase sem querer.

A saudade faz com que tudo tenha você.

A saudade lembra todo o meu amor e porque eu sinto tanta saudade.

É tão maldosa e egoísta que o único jeito de se livrar dela
(mesmo que por poucos minutos) é tratá-la assim com esse carinho,
Com esse cuidado.

E com essa mágoa escrever uma folha inteira em sua homenagem.

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“On Television, Judges, and Insomnia”

8 08 UTC agosto 08 UTC 2009 - Deixe seu recado!

Top chef logo

by Carol Brauer

Insomnia is a terrible thing, because it usually sets in when you are already done. There are only so many hours you can be productive. I refuse to take sleeping pills because I try to keep my body as chemical-free as possible, this because I chain-smoke and chain-drink. It’s important to me to be able to continue these activities over as many years as possible, another good reason for eating healthy foods and exercising.

The only real solution to insomnia is television. It is exceedingly soporific. Unfortunately, you have to watch a little of it before its effects kick in.

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“Soubesse”

18 18 UTC julho 18 UTC 2009 - Uma resposta

Nostalgia

por Raquel Galvão

Às vezes a gente tem, e nem precisa da saudade.

Outras a gente chora por não ter e sente parecer não ser verdade.

Um dia a gente acorda, e se depara com a realidade.

Uma idade que não volta, uma pessoa que não apareceu mais – às vezes pelas linhas da vida que não mais se cruzam, e outras porque já era hora de ir.

Saudades de você mesmo, de como era antes de achar que nada está bom.

Não tem mais a goiabeira no quintal que cresci, nem cheiro mais a erva-cidreira que vovó plantava… e fico olhando, tentando entender, por que certas coisas doem tanto.

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“Quem é Essa Mulher?”

10 10 UTC julho 10 UTC 2009 - Deixe seu recado!

Eyes

por Thamirys Spyker

Ela te colocará no seu lugar e te desequilibrará.

Uma agradável surpresa.

Só a ouça. Apenas. Não faça mais nada.

Quem é essa mulher?

Ela tem os olhos da Bette Davis.

Veja seus lábios: vermelhos e macios.

Ela já sabe de tudo e está decidida.

Ela quer o amor.

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“Millennium” ou “Padrões”

3 03 UTC julho 03 UTC 2009 - Uma resposta

MillenniumMillennium é o melhor seriado que já assisti. Cancelado há mais de dez anos, contava a história de um agente do FBI que entrava num grupo secreto dedicado a guiar a humanidade nos dias difíceis do apocalipse. Ao longo das três temporadas, o agente descobria que ‘guiar’ não era a palavra certa – o grupo queria mesmo era controlar a raça humana através de profecias bíblicas. Ao ver sua esposa e filha serem arrastadas junto com ele para dentro das maquinações do grupo, o agente acaba se voltando contra seus líderes.

No início da primeira temporada, eu me identificava com o grupo Millennium. No final da terceira, eu me identificava com o agente Frank Black. É natural achar que os roteiristas buscavam esse efeito, mas eu também gosto de crer que eu mudei durante a série.

Ontem li um texto que Cristina Capanema escreveu sobre mim. No início do primeiro parágrafo, eu queria esconder meu rosto corado de timidez pelos elogios. No final do último, queria responder à altura de sua nobreza. É possível que Cristina tenha buscado esse efeito, mas eu também gosto de crer que eu mudei durante o texto.

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“Pseudoquackeries”

27 27 UTC junho 27 UTC 2009 - Uma resposta

chiromancy

by Carol Brauer

Nota do Editor: Não me perguntem como, mas Carol lê mesmo mãos. Anos atrás, ela fez uma leitura da minha mão que provou ser correta muito tempo depois.

Often, people tell me that palm-reading is nonsense because I am “making it all up”. This is obviously odd for someone who studies fiction to hear. Is fiction so worthless, or have we not instructed ourselves from it for centuries?

So we make stuff up, using guesswork or “intuition”, which science has shown to be no magical thing, but a series of calculations faster than the conscious mind can process or even detect.

Is that guesswork so worthless, or do we really have so little faith in our poor heads?

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“Problem Theory”

22 22 UTC junho 22 UTC 2009 - Deixe seu recado!

Chaos

by Carol Brauer

Not very long ago, I was astonished to step into my aunt’s house for the first time. I say astonished, and I say not very long ago, because now it’s no longer something that would surprise me. In fact, I’d smile about it.

I saw a photograph of the same place 15 years back. At the time it was still a relatively normal apartment. You could call it stylishly cluttered, a typical apartment for a pretty, successful photographer from LA who didn’t have the time to decorate but whose life was filled with interesting things.

With time it became an obstacle course. The first time I stepped in, I realized I’d need to photograph the place, otherwise no one would believe me. I never did, because I didn’t want to be believed. I was miserable while there – ignorance, really. If only I could have appreciated the first sparkling manifestation of problem theory.

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“Waveland” ou “Dia de Zumbi”

15 15 UTC junho 15 UTC 2009 - 4 Respostas

Waveland2Enquanto eu morava na Flórida em 2003, conheci um menininho peculiar. Seu nome era Brody, e era muito inteligente. Só tinha uma coisa estranha – de vez em quando, às vezes durante um minuto inteiro, Brody imitava gestos que observava em outras pessoas. Não era um arremedo caricato, e sim algo que ele desempenhava com a maior seriedade. Enquanto o olhava, um amigo fez um aparte pueril, se não cruel, de que o garoto parecia um zumbi naquele estado.

“Prison Break” ou “Nós”

11 11 UTC junho 11 UTC 2009 - 5 Respostas

PrisonBreak_logoEm 2001, um filme chamado Conspiração foi lançado pela HBO. De roteiro sólido, Conspiração mostra o que se passou durante a Conferência de Wannsee, onde os altos oficiais nazistas decidiram exterminar o povo judeu. No meio do filme, um professor que se opõe à ’solução final’ aborda Reinhard Heydrich (Chefe de Segurança do Reich) e lhe conta uma história.

Havia um rapaz – diz o professor – que detestava seu pai. O pai havia lhe maltratado a vida inteira, tanto moral quanto fisicamente. Por conta disso, o rapaz odiava o pai com todas as suas forças. Quando o pai morreu, todos esperavam que o rapaz fosse ficar feliz. Mas aconteceu o contrário – ele ficou triste por muito tempo.

Adolf Eichmann também ouve a história, mas não entende sua moral. Cabe a Heydrich lhe explicar. O rapaz da história odiava tanto seu pai que sua raiva havia preenchido todos os aspectos de sua existência – ele vivia para se vingar do velho. Quando o pai morreu, sua vida esvaziou-se de significado. O professor havia contado essa história para advertir Heydrich – se os nazistas tornassem o extermínio dos judeus a sua razão de viver, sua existência perderia o propósito quando os judeus se fossem.

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“Filhos de Si Mesmo”

4 04 UTC junho 04 UTC 2009 - 3 Respostas

Filhos de Si Mesmo

por Fernanda Ervolino

Hoje estava num café conversando com um amigo, e me surgiu um pensamento meio louco.

Um feto, quando está no ventre de sua mãe, não tem consciência de quem é – deve sentir como se fosse a mesma pessoa que ela. O ato de nascer é, de certa forma, uma rejeição. A mãe o coloca para fora, para o mundo. A medida que ele cresce, toma consciência de que é outra pessoa.

E é a mesma coisa quando nos apaixonamos intensamente por alguém. Pensamos que somos uma só pessoa de tão envolvidos. O fim do relacionamento, que vem através da rejeição de uma das partes, nos faz perceber que somos uma nova pessoa fruto “daquela” – como se estivéssemos nascendo de novo.

“Inaudível”

31 31 UTC maio 31 UTC 2009 - 2 Respostas

Inaudível

por Raquel Galvão

Te digo querido amigo… não sou feita de aço,
Embora às vezes me confundam com cordas
Quando me tocam a pele e por dentro estremeço
Deixando a desejar nem que fosse um som desafinado
E nesse silêncio que convivemos
É doído não ser verbalizado
Esse choro querer ser sempre entalado
E essa agonia…
De não ser nem som, nem instrumento de canção incompleta…

.
E a única nota… dó.

“Os Três Príncipes de Serendip” ou “Serendipidade”

15 15 UTC maio 15 UTC 2009 - 4 Respostas

Serendipity“Mutações”, disse eu num curso sobre tecnologia que ministrei recentemente, “são a maneira da natureza testar novas ideias. A maioria são péssimas ideias, como fazer nascer um gato com um olho só. Essas ideias não vingam. Mas de vez em quando, uma dessas ideias loucas dá certo – tais como, sei lá, fazer um peixe respirar ar. Num sentido muito literal, essas ideias vivem para sempre.”

Aqueles alunos devem achar até hoje que sou um aficionado por X-Men, mas estudar mutações fornece insights valiosos sobre a natureza das ideias humanas. Visto que esse blog já trouxe dois textos sobre mutações, acho justo completar a trilogia no melhor estilo livro-de-aeroporto e explicar como um pouco mais de serendipidade pode ser o tempero que está faltando na salada da sua vida.

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“Revolutionary Road” ou “Teste de Rorschach”

7 07 UTC maio 07 UTC 2009 - 5 Respostas

revolutionary-road-movie-poster1Em 1921, o psiquiatra suíço Hermann Rorschach inventou o seguinte método de avaliação psicológica. Dez manchas de tinta eram mostradas ao paciente, e dependendo de suas interpretações (“é uma linda borboleta” ou “é uma mancha de sangue” etc), o psiquiatra podia deduzir seus traços psíquicos e estado emocional.

Muitos descartam o teste de Rorschach como pura pseudociência, mas isso não impediu que outros métodos surgissem trazendo promessas semelhantes. Quem nunca recebeu por e-mail aquele teste supostamente empregado pelo FBI para identificar psicopatas? “Você vai ao enterro de um parente e conhece uma pessoa por quem se apaixona. Infelizmente você não pega o contato dessa pessoa. Algum tempo depois, você mata outro parente seu. Por que você o matou?”

A resposta psicótica é “para reencontrar aquela pessoa no enterro” (vale notar que, quando eu recebi esse teste, respondi “para que os dois parentes mortos fiquem juntos no céu” – mas não estou aqui pra me gabar).

Estou escrevendo esse texto pra dizer que encontrei o teste de Rorschach perfeito. E já vai sair em DVD.

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“Confissão”

2 02 UTC maio 02 UTC 2009 - Deixe seu recado!

confissaopor Raquel Galvão

Cale a minha voz que ela me bate, me açoita… eu penso e contrapenso, acho pra depois me perder, julgo e não sei porquê… faço para depois me arrepender, grito, ignoro, juro, machuco, resmungo e fujo. E vou para poder voltar… escrevo só para apagar, escuto para depois não me lembrar, quebro para não consertar, me tragam água que hoje vou me afogar! Subo e não quero mais descer, derrubo e falo que foi você, nado para nada achar e escorrego nas cascas que não deixei você apanhar, me desconcentro e escrevo sem pensar, sou e penso que assim sempre será, me visto pensando em me despir, fico chorando para depois sorrir… me engano.

Me açoito, me esculhambo. Grita, grita por quê há e sabe!! Por mais que eu não queira, de mim sei alguma coisa.

“Chrono Cross” ou “QI 2.0″

26 26 UTC abril 26 UTC 2009 - Deixe seu recado!

chrono-cross-coverComprei um Playstation 2 esses dias pra ver certas referências de jogos. Acabei revisitando Chrono Cross, um RPG da Squaresoft sobre viagem no tempo que o tempo cobriu de poeira na minha gaveta.

Chrono Cross é uma história melancólica sobre destino e livre arbítrio. Se passa em dois universos paralelos – o primeiro é o universo natal do protagonista; mas no segundo, esse mesmo rapaz morreu aos dez anos de idade. É interessante como os desvios sutis nas vidas dos personagens dos dois mundos acarretam grandes diferenças com o passar do tempo, mas a verdadeira importância de Chrono Cross pra mim está em como ele me deixou mais inteligente.

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“O Universo Como Trem Fantasma e o Surgimento dos Canalhas”

24 24 UTC abril 24 UTC 2009 - Deixe seu recado!

por Marcellus

Nota do Editor: Marcellus é o amigo que citei nesse post. O texto abaixo é, de certa forma, seu direito de réplica.

free-willTerminei de rever a série Wild Palms hoje, gentilmente emprestada pelo bom e velho amigo a quem este blog pertence. Em seguida, reli o seu post “Wild Palms ou Páscoa Fantasma“. Finalmente com isso consegui chegar a alguma inspiração acerca do que escrever neste espaço, uma vez que o convite já vem aberto há algumas semanas.

Confesso que não sei o quão longe foi a lucidez do velho Aiache quando ele descreve em algumas poucas linhas o desabrochar de um vilão, mas adoraria chamar atenção para o seguinte fato: ele foi na mosca! Devo dizer que discordo inteiramente da sua concepção do universo como um trem fantasma pelo simples fato de que, caso isso fosse mesmo verdade, o surgimento do que entendemos por “civilização” seria absolutamente impossível.

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