Ao contrário da metalinguagem explícita – onde, por exemplo, o personagem diz o nome do filme – a metalinguagem implícita é apenas o casamento entre forma e conteúdo. O quê está sendo contado anda de mãos dadas com como está sendo contado. Essa aliança amplifica a mensagem da obra em muitas vezes, porque vence barreiras cognitivas e age num escopo intuitivo, visceral.
Duas noites atrás, tive o prazer de ver um curta meu exibido numa mostra que frequento. Foi uma noite agradável com amigos mas, igualmente importante, também foi uma demonstração de metalinguagem implícita. ‘Renal’ (que agora está linkado a partir deste blog) foi, desde sua concepção, uma crônica sobre impotência. Não impotência sexual, mas a impotência de assistir a eventos cruciais sem poder atuar sobre os mesmos. Eu poderia ter produzido este efeito com um texto grandiloquente ou direção melodramática. Mas decidi recrutar a câmera para trabalhar comigo nesse clima. Acho que funcionou. ‘Renal’ é um anedota de humor negro e ironia clara.
Metalinguagem implícita dá certo exatamente por isso – porque é implícita. Pregar para o público raramente é tão eficaz quanto imitá-lo, se não literalmente, ao menos simbolicamente.