No filme The Matrix, Neo flagra um de seus colegas ‘despertos‘ olhando para uma tela onde vários zeros e uns se empilham. Neo pergunta o que ele está fazendo, e ele responde que aquelas telas mostram o que está acontecendo na simulação chamada Matrix – para seu olho treinado, uma certa sequência de zeros e uns queria dizer que um carro atropelou um cachorro, ou que um pombo pousou numa janela.
O personagem estava apenas descrevendo código binário, que é a base de todo programa de computador. Cada letra que digito nesse texto é formada por uma sequência específica de zeros e uns (o um é um impulso elétrico; o zero é a ausência do mesmo). Ou seja, a palavra ‘insone’, por exemplo, é formada pelos dígitos: 01101001 01101110 01110011 01101111 01101110 01100101.
Não acredita?
As obras de neuroarte que ilustram a Mente & Cérebro #193 são como esses códigos binários – são percepções das percepções. Para ser preciso, o termo ‘neuroarte’ abarca qualquer pintura ou escultura com temas neurológicos, mas prefiro estreitar seu sentido a obras de arte criadas a partir de imagens do cérebro – como a bizarrice no topo desse post (seu título é ‘Ensaios de Afinidade para Receptores de Guia Axonal’. Esse aqui embaixo se chama ‘Astrócitos em Cultivo’. Quem disse que a arte tinha que ser romântica pode enfiar o pé na boca).

Um computador do Laboratório ATR de Ciência Computacional em Kyoto já consegue identificar que figura geométrica uma pessoa está vendo com base em ressonância magnética do seu cérebro. Micro-variações de fluxo sanguíneo em diferentes partes do cérebro da cobaia permitem à maquina deduzir o que ela vê. No futuro, essa leitura de percepções das percepções nos permitirá ver os sonhos de pessoas que estão dormindo, compartilhar de surtos de pacientes psicóticos e, é claro, ler os pensamentos de vítimas de interrogatório.
Mais obras de neuroarte aqui. Eu não me considero sensível, mas quando olho para a ‘Interneurônios inibitórios do córtex cerebral do camundongo’, me sinto um só com o eterno divino.
[...] jogos de vez em quando, e mexer com suas vísceras me rendeu uma conclusão estranha. Contrário à sabedoria popular, o universo não parece ser programado como um videogame. Em vez de termos a liberdade de andar pra [...]